I
A escuridão abre o dossel no pago
- um poncho negro sobre nós flutua!
Na gola, o furo, forma a luz da lua
que se derrama sobre o pampa vago!
Ouve-se a voz tristonha do urutago
que fere a noite com sanguíneas puas...
Estância e estrada, dormitando as duas,
“a quem esperam?” sem saber, indago!
Há uma saudade que se perpetua...
Que me persegue ou, sem querer, eu trago
em minhas veias que são velhas ruas!
Ao meu olhar, a noite se insinua
e, indecifrável, dá-me o seu afago;
porém, oculta em sombras, continua!
II
Uma coruja, tímida, observa
com seu olhar imenso o obscuro...
Soam lamentos, prantos e esconjuros
que o imaginário popular conserva!
O último mate já lavou a erva
e o trasfogueiro dorme um sono puro...
Um piá insone sente-se inseguro
e ouve o silêncio que o temor reserva!
Sem preocupar-se com qualquer futuro,
um ser notívago que o breu preserva
vai explorando pastos e monturos...
E o cão sem dono, esquálido e maduro,
chora pra lua lúcida e se enerva
com as silhuetas ágeis pelo escuro!
III
Quando sucumbe o dia, calmo e sério
e o céu sangrado, aos poucos, escurece,
toda a paisagem que desaparece
vai se perdendo em sonhos e mistérios!
Dormem os homens: aldeões, gaudérios...
Cochila a estância e o povo permanece
de olhos fechados desde que anoitece
até que a Vésper ronde os hemisférios!
E enquanto a vida, súbita, adormece,
taperas, ermos, fundos, cemitérios
acordam lendas que o presente esquece...
É quando o espectro suplica a prece
e a treva exulta sobre o medo etéreo
que desintegra-se quando amanhece!
Cidade: São Borja
Autor: Rodrigo Bauer
Intérprete: Pedro Júnior da Fontoura
Amadrinhadores: Teclado - Paulo Bracht
Flauta Transversal – Texo Cabral
Mostrando postagens com marcador 4ª Querência da Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 4ª Querência da Poesia. Mostrar todas as postagens
O PAGO EM CHAMAS
No fim do inverno o meu Pago
sempre se veste de luto...
Meu Deus do céu e dos campos
que só em agosto é lembrado,
se o fogo for tua ira
perdoai os meus pecados.
Não... Não é “Sodoma” ou “Gomorra”
pra arder na ira Divina,
a mão que o fogo ateia
é ignorante e malina.
Timbram ecos de socorro
entre tições e queixumes,
se extinguindo nos acesos
do primitivo costume...
E o rubro carbonizante
se precipita alo largo!!
Talvez seja, a alma de Nero
com seu diabólico fado,
que vem empunhando a tocha
queimar os campos do Pago!
Ou talvez, um servo de Dante
campeando por este chão
alguma alma gaudéria
fugindo da maldição...
O Gado num trote arisco
rumbeia pra outra banda,
buscando a várzea sem brasas
do outro lado da sanga...
E um sinuoso de chamas
avança voraz e rude
forjando réstias macabras
no espelho turvo do açude...
No estalo do macegal
há tropilhas em tropel
numa fuga alucinada
pra longe do fogaréu!
Até mesmo o quero quero
com seu porte de gigante
num bárbaro desespero
Enfim se faz retirante!
Um rumorejo silvestre
se propaga com lamúria
urgindo um último eco
por entre chamas em fúria!
E até os bravos terrunhos
mitificados na guerra
queimam qual bruxos pagãos
mesmo debaixo da terra...
Coxilhas são engolidas
pelas brumas fumarentas
e uma legião de fantasmas
faz ronda no céu da pampa!
Labaredas sarandeiam
no redemunho do vento
como orgia de demônios
em franco acasalamento!
Boi-tatás fazem duelos
botando chispas em jogo
e o satã cospe centelhas
zombando do próprio fogo!
Sim...
É o Pago ardendo em chamas!
É o campo outra vez queimando!
Nos ares pairam soluços
da natureza chorando!
Aos poucos o breu se agranda
no matiz negro do pago...
do verde restou apenas
um olhar triste e vago...
Meu Deus do céu e dos campos
que só em agosto é lembrado,
se o fogo for tua ira
perdoai os meus pecados!!
Verdade...
No fim do inverno o meu Pago
sempre se veste de luto...
Porém, a mãe natureza
progenitora do bem,
das cinzas remanescentes
fará brotar mil sementes
com a força persistente
que só ele mesmo tem!
... o Nero só voltará
no fim do inverno que vem!!
*Sodoma e Gomorra:
Segundo o antigo testamento foram cidades destruídas pela ira de Deus através do fogo, do enxofre e outros elementos.
Cidade: Passo Fundo
Autor: Luis Lopes de Souza
Intérprete: Paulo Ricardo dos Santos
Amadrinhador: Natalício Cavalheiro
sempre se veste de luto...
Meu Deus do céu e dos campos
que só em agosto é lembrado,
se o fogo for tua ira
perdoai os meus pecados.
Não... Não é “Sodoma” ou “Gomorra”
pra arder na ira Divina,
a mão que o fogo ateia
é ignorante e malina.
Timbram ecos de socorro
entre tições e queixumes,
se extinguindo nos acesos
do primitivo costume...
E o rubro carbonizante
se precipita alo largo!!
Talvez seja, a alma de Nero
com seu diabólico fado,
que vem empunhando a tocha
queimar os campos do Pago!
Ou talvez, um servo de Dante
campeando por este chão
alguma alma gaudéria
fugindo da maldição...
O Gado num trote arisco
rumbeia pra outra banda,
buscando a várzea sem brasas
do outro lado da sanga...
E um sinuoso de chamas
avança voraz e rude
forjando réstias macabras
no espelho turvo do açude...
No estalo do macegal
há tropilhas em tropel
numa fuga alucinada
pra longe do fogaréu!
Até mesmo o quero quero
com seu porte de gigante
num bárbaro desespero
Enfim se faz retirante!
Um rumorejo silvestre
se propaga com lamúria
urgindo um último eco
por entre chamas em fúria!
E até os bravos terrunhos
mitificados na guerra
queimam qual bruxos pagãos
mesmo debaixo da terra...
Coxilhas são engolidas
pelas brumas fumarentas
e uma legião de fantasmas
faz ronda no céu da pampa!
Labaredas sarandeiam
no redemunho do vento
como orgia de demônios
em franco acasalamento!
Boi-tatás fazem duelos
botando chispas em jogo
e o satã cospe centelhas
zombando do próprio fogo!
Sim...
É o Pago ardendo em chamas!
É o campo outra vez queimando!
Nos ares pairam soluços
da natureza chorando!
Aos poucos o breu se agranda
no matiz negro do pago...
do verde restou apenas
um olhar triste e vago...
Meu Deus do céu e dos campos
que só em agosto é lembrado,
se o fogo for tua ira
perdoai os meus pecados!!
Verdade...
No fim do inverno o meu Pago
sempre se veste de luto...
Porém, a mãe natureza
progenitora do bem,
das cinzas remanescentes
fará brotar mil sementes
com a força persistente
que só ele mesmo tem!
... o Nero só voltará
no fim do inverno que vem!!
*Sodoma e Gomorra:
Segundo o antigo testamento foram cidades destruídas pela ira de Deus através do fogo, do enxofre e outros elementos.
Cidade: Passo Fundo
Autor: Luis Lopes de Souza
Intérprete: Paulo Ricardo dos Santos
Amadrinhador: Natalício Cavalheiro
Divino Amor
Às vezes eu me pergunto
qual amor tem mais constância,
o que perdura à distância
ou o que perdemos juntos?
Me encanta tanto esse assunto
que sendo filosofia
faz parte do dia-a-dia
das relações dos amantes
quando a vida, num instante,
se cansa de ser poesia...
Pois pensando se conclui,
na velha contradição,
que a gente destrói c’oas mãos
o sonho quando o possui...
Mas há sempre alguém que argúe
com razão que julga certa
que o amor só se completa
quando for vivido a dois
mesmo que morra depois
na solidão mais repleta.
O ser humano distorce
o amor mais belo e puro
quando condena o futuro
com sentimento de posse...
Pois ama como se fosse
o amor uma permuta
um dom que a gente desfruta
para o próprio bem estar
esquecendo-se que amar
é uma entrega absoluta.
Amar é antes de tudo
ser uma espécie de deus
que tendo um mundo só seu
transfere a outro esse mundo.
É perceber, bem no fundo,
dessa adição tão estranha
que é quem mais dá: quem mais ganha
porque na soma do amor
o bem possui um valor
que a razão não acompanha.
O Amor é um sentimento
que supera desatino
e, talvez, por ser divino
não cabe no pensamento,
tem outro comportamento
contrário a toda ambição,
oposto a qualquer paixão,
pois demonstra a experiência
que amar por conveniência
prostitui o coração.
O amor que Deus ensina,
traduz bondade e esperança,
o humano à semelhança
da eternidade divina...
Quem ama na desatina
às ausências, às esperas,
não vive pelas quimeras
nem conspira tais arranjos...
amar é, também, ser anjo
e viver o céu na Terra.
É preciso refletir
pra compreender que amar
é o amante se entregar
sem ter o amado pra si.
Amar não é possuir
com promessas num altar,
prometer a não se dar
no cotidiano da casa...
Mas é dar um par de asas
pra o outro poder voar...
Amor é felicidade,
é nosso dom mais bonito,
a noção de infinito
e a razão da liberdade.
Só que ama de verdade
vive além da existência
e não crê em outra crença,
seja de que seita for,
porque sabe que o amor
é permanente presença.
Eu não creio nessa chama
nessa falsa comunhão
que divide a solidão
com pretexto de que ama...
E na mesa ou na cama
sobrevive por um triz
e vai perdendo o matiz
das auroras, ao descaso,
por partilhar o ocaso
ao se enganar que é feliz...
Amor é o dom que se tem
de um altruísmo tamanho
que acolhe em nós o estranho
e paga o mal com o bem.
É existir por alguém
que em nossos olhos reluz
ao ponto que se deduz,
embora sendo cruel,
que o amor só chega ao céu
após passar pela cruz.
Cidade: Capão da Canoa
Autor: Vaine Darde
Intérprete: Liliana Cardoso
Amadrinhador: Lenin Nunes
qual amor tem mais constância,
o que perdura à distância
ou o que perdemos juntos?
Me encanta tanto esse assunto
que sendo filosofia
faz parte do dia-a-dia
das relações dos amantes
quando a vida, num instante,
se cansa de ser poesia...
Pois pensando se conclui,
na velha contradição,
que a gente destrói c’oas mãos
o sonho quando o possui...
Mas há sempre alguém que argúe
com razão que julga certa
que o amor só se completa
quando for vivido a dois
mesmo que morra depois
na solidão mais repleta.
O ser humano distorce
o amor mais belo e puro
quando condena o futuro
com sentimento de posse...
Pois ama como se fosse
o amor uma permuta
um dom que a gente desfruta
para o próprio bem estar
esquecendo-se que amar
é uma entrega absoluta.
Amar é antes de tudo
ser uma espécie de deus
que tendo um mundo só seu
transfere a outro esse mundo.
É perceber, bem no fundo,
dessa adição tão estranha
que é quem mais dá: quem mais ganha
porque na soma do amor
o bem possui um valor
que a razão não acompanha.
O Amor é um sentimento
que supera desatino
e, talvez, por ser divino
não cabe no pensamento,
tem outro comportamento
contrário a toda ambição,
oposto a qualquer paixão,
pois demonstra a experiência
que amar por conveniência
prostitui o coração.
O amor que Deus ensina,
traduz bondade e esperança,
o humano à semelhança
da eternidade divina...
Quem ama na desatina
às ausências, às esperas,
não vive pelas quimeras
nem conspira tais arranjos...
amar é, também, ser anjo
e viver o céu na Terra.
É preciso refletir
pra compreender que amar
é o amante se entregar
sem ter o amado pra si.
Amar não é possuir
com promessas num altar,
prometer a não se dar
no cotidiano da casa...
Mas é dar um par de asas
pra o outro poder voar...
Amor é felicidade,
é nosso dom mais bonito,
a noção de infinito
e a razão da liberdade.
Só que ama de verdade
vive além da existência
e não crê em outra crença,
seja de que seita for,
porque sabe que o amor
é permanente presença.
Eu não creio nessa chama
nessa falsa comunhão
que divide a solidão
com pretexto de que ama...
E na mesa ou na cama
sobrevive por um triz
e vai perdendo o matiz
das auroras, ao descaso,
por partilhar o ocaso
ao se enganar que é feliz...
Amor é o dom que se tem
de um altruísmo tamanho
que acolhe em nós o estranho
e paga o mal com o bem.
É existir por alguém
que em nossos olhos reluz
ao ponto que se deduz,
embora sendo cruel,
que o amor só chega ao céu
após passar pela cruz.
Cidade: Capão da Canoa
Autor: Vaine Darde
Intérprete: Liliana Cardoso
Amadrinhador: Lenin Nunes
PAZ E LUZ
Perpassa pro papel, a pena,
A paz que verte em poema
No mais sublime sonhar.
Reluz a Luz que procuro,
Mesmo no vazio do escuro...
Quando mereço encontrar.
Paz e Luz...
Confundidos com destinos
Aos quais se queira chegar.
Paz e Luz... são caminhos convergentes
Pelos quais se deve trilhar!...
Duas palavras pequenas
Mas com tanto significado...
Que contam muito da História
E das buscas sem-fim do Homem.
Terá sido sempre assim?
Pode-se mudar as páginas do futuro
E escrever outras que não nos levem ao fim?
A Paz...
Àquela que trata da harmonia do espírito,
Da calma e serenidade...
Que marca a ausência da guerra;
A extinção do combate;
O aperto de mão sobrepondo as armas;
A vitória da peleia por palavras...
Onde a aliança da pena com os homens,
Traduz pro papel a conquista do acordo.
Luz...
Bendito sopro da vida!
Essa magia estupenda
Que brota com a poesia...
Somando dois em um só.
Luz...
A procura em cada rumo traçado
De encontro com a sua fé
Num mundo melhor...
No Supremo Criador...
Cada povo a sua maneira
Mas focando neste Norte.
Paz e Luz...
Tão singelas palavras
Encerrando em meia dúzia de letras
Milhares de anos do agir das civilizações.
Mas que paz buscaram os homens?
De encontro a qual luz marcharam?!
Talvez alguns tenham confundido a paz,
Com a supremacia extrema do poder,
Com o domínio material,
Subjugando povos e nações...
Quem sabe com a visão
Ofuscada por outra luz,
Àquela do astro-rei refletindo no vil metal...
Que cega os olhos... com a ganância,
E... petrifica o coração dos fracos?!
Poderia ser a luz da ciência,
Do conhecimento, do desenvolvimento?...
A luz da consciência?...
A luz do bem querer?!
Mas, este... “querer”
Foi sempre o do mandatário
Ou de seu conselheiro da fé!
A paz é sempre o objetivo final,
Substantivo perdido...
Distante das entrelinhas do texto...
Porém... é sempre o pretexto
Para o rufar dos tambores
Que soam pelo poder;
Pelo domínio imperialista...
Pela imagem cunhada
E o luzir falso... do ter!
As questões atropelam
E tomam razão e sentido,
Ganhando asas na voz:
Qual é a luz que tu buscas?
Qual é a paz que tu tens?
Quem sabe a paz dos silêncios solitários
Num auto-exílio por medo?!
Dentro de um ranchinho gradeado.
Quem sabe a luz do luar
No espelho da aguada
Que verte no teu olhar,
Diante de cada injustiça
Que o dia-a-dia te impõe?
Lhes digo...
Que guardo pra mim
Que cada um tem a paz e a luz
Que mais lhe convém...
Seja por falta de vontade
De remar contra a maré,
Seja por ausência de força moral;
Mas... de pronto aflora a sentença:
Isso é a derrota do bem... para o mal!...
A paz que trago comigo
Não está no branco das vestes,
No ramo das oliveiras...
Ou em alvas asas de pombas.
Está na mão que afaga
E no serenal da consciência justa...
Está na voz... na palavra,
Clamando por bem comum;
É olhar... e ver a face do irmão;
Está no meu chimarrão...
Que agrega e chama a prosear
Pra mil idéias semear
No solo fértil de cada coração.
A Luz...
Esse clarão de alma...
Que é rumo certo e abrigo,
Fé e esperança... que cada qual trás consigo,
Se mostra à face daqueles
Que querem lhe enxergar.
Então que Paz que tu tens?
Que Luz ilumina o teu andar?
Por isso afirmo senhores:
Que desejo que essas linhas de esperança
Redobrem hinos de paz
Ecoando com emoção
Na mente de cada um;
E que o sonho do bem comum
Nos leve... de um a um,
Pra paz sem dono ou senhor...
E pra luz sublime... do amor!...
Cidade: Porto Alegre
Autor: Cristiano Ferreira
Intérprete: Zeca Pereira
Amadrinhador: Violão - Claudio Silveira
A paz que verte em poema
No mais sublime sonhar.
Reluz a Luz que procuro,
Mesmo no vazio do escuro...
Quando mereço encontrar.
Paz e Luz...
Confundidos com destinos
Aos quais se queira chegar.
Paz e Luz... são caminhos convergentes
Pelos quais se deve trilhar!...
Duas palavras pequenas
Mas com tanto significado...
Que contam muito da História
E das buscas sem-fim do Homem.
Terá sido sempre assim?
Pode-se mudar as páginas do futuro
E escrever outras que não nos levem ao fim?
A Paz...
Àquela que trata da harmonia do espírito,
Da calma e serenidade...
Que marca a ausência da guerra;
A extinção do combate;
O aperto de mão sobrepondo as armas;
A vitória da peleia por palavras...
Onde a aliança da pena com os homens,
Traduz pro papel a conquista do acordo.
Luz...
Bendito sopro da vida!
Essa magia estupenda
Que brota com a poesia...
Somando dois em um só.
Luz...
A procura em cada rumo traçado
De encontro com a sua fé
Num mundo melhor...
No Supremo Criador...
Cada povo a sua maneira
Mas focando neste Norte.
Paz e Luz...
Tão singelas palavras
Encerrando em meia dúzia de letras
Milhares de anos do agir das civilizações.
Mas que paz buscaram os homens?
De encontro a qual luz marcharam?!
Talvez alguns tenham confundido a paz,
Com a supremacia extrema do poder,
Com o domínio material,
Subjugando povos e nações...
Quem sabe com a visão
Ofuscada por outra luz,
Àquela do astro-rei refletindo no vil metal...
Que cega os olhos... com a ganância,
E... petrifica o coração dos fracos?!
Poderia ser a luz da ciência,
Do conhecimento, do desenvolvimento?...
A luz da consciência?...
A luz do bem querer?!
Mas, este... “querer”
Foi sempre o do mandatário
Ou de seu conselheiro da fé!
A paz é sempre o objetivo final,
Substantivo perdido...
Distante das entrelinhas do texto...
Porém... é sempre o pretexto
Para o rufar dos tambores
Que soam pelo poder;
Pelo domínio imperialista...
Pela imagem cunhada
E o luzir falso... do ter!
As questões atropelam
E tomam razão e sentido,
Ganhando asas na voz:
Qual é a luz que tu buscas?
Qual é a paz que tu tens?
Quem sabe a paz dos silêncios solitários
Num auto-exílio por medo?!
Dentro de um ranchinho gradeado.
Quem sabe a luz do luar
No espelho da aguada
Que verte no teu olhar,
Diante de cada injustiça
Que o dia-a-dia te impõe?
Lhes digo...
Que guardo pra mim
Que cada um tem a paz e a luz
Que mais lhe convém...
Seja por falta de vontade
De remar contra a maré,
Seja por ausência de força moral;
Mas... de pronto aflora a sentença:
Isso é a derrota do bem... para o mal!...
A paz que trago comigo
Não está no branco das vestes,
No ramo das oliveiras...
Ou em alvas asas de pombas.
Está na mão que afaga
E no serenal da consciência justa...
Está na voz... na palavra,
Clamando por bem comum;
É olhar... e ver a face do irmão;
Está no meu chimarrão...
Que agrega e chama a prosear
Pra mil idéias semear
No solo fértil de cada coração.
A Luz...
Esse clarão de alma...
Que é rumo certo e abrigo,
Fé e esperança... que cada qual trás consigo,
Se mostra à face daqueles
Que querem lhe enxergar.
Então que Paz que tu tens?
Que Luz ilumina o teu andar?
Por isso afirmo senhores:
Que desejo que essas linhas de esperança
Redobrem hinos de paz
Ecoando com emoção
Na mente de cada um;
E que o sonho do bem comum
Nos leve... de um a um,
Pra paz sem dono ou senhor...
E pra luz sublime... do amor!...
Cidade: Porto Alegre
Autor: Cristiano Ferreira
Intérprete: Zeca Pereira
Amadrinhador: Violão - Claudio Silveira
O “Libisome” do Rincão*
Foi numa noite de sexta-feira
Que este fato sucedeu!
A lua prateava o campo
Bem logo que anoiteceu.
O vento no taquaral
Imitava uma cantiga de ronda...
E um grilito cricrilava
Num guitarrear de milonga.
Mal cruzava a meia noite
Se alvoroçou a cuscada...
Peguei o “foco” e alumiei
Do terreiro até a ramada.
Atrás d’uma cerca de ripa
Um bicho estranho se escondia,
Batendo as “oreia” grande
Cada vez que se sacudia.
A patroa botou os “óio”
No tal bicho interessante.
Perguntei: -“Mas que tal o bicho?”
Me respondeu no mesmo instante:
-É uma “oveia” da Guilhermina
Que se escapou do potreiro!
Ou a “macoa” do Juvêncio
Que se bandeou do chiqueiro!
-Nada disso! Respondi
Num jeitão bem entonado.
-É “libisome”, te garanto,
Pois nisso sou estudado.
Saquei o trinta do coldre
E fiz bem a pontaria...
Três palmos acima da cerca,
Pois matá-lo eu não queria.
O “Schmidtão” berrou grosso
Que deu eco no rincão.
Como um courisco se sumiu
O bichinho na imensidão.
Deixou rastro na lavoura
Mas, casco e pata não era!
Só uns risco meio torto
Quando buscava a tapera.
Desde então eu arreparo
As atitude dos “amigo”!
Só o Juvêncio corta rastro
Quando se topa comigo.
Não chega mais lá em casa,
Nem tampouco cumprimenta,
Anda sempre a passo largo
Quando na vila se apresenta.
Quando me encherga no bolicho
Parece ver assombração.
Mas oigale! To achando que descobri
Quem é o “libisome do Rincão”!
*Baseado em relatos do Sr. Antônio Sebastião, Esmeralda/RS
Cidade: Caxias do Sul
Autor: Cleber Luz
Intérprete: Cleber Luz
Amadrinhadores: Violão – Fabio Soares
Serrote – Luciano Salermo
Que este fato sucedeu!
A lua prateava o campo
Bem logo que anoiteceu.
O vento no taquaral
Imitava uma cantiga de ronda...
E um grilito cricrilava
Num guitarrear de milonga.
Mal cruzava a meia noite
Se alvoroçou a cuscada...
Peguei o “foco” e alumiei
Do terreiro até a ramada.
Atrás d’uma cerca de ripa
Um bicho estranho se escondia,
Batendo as “oreia” grande
Cada vez que se sacudia.
A patroa botou os “óio”
No tal bicho interessante.
Perguntei: -“Mas que tal o bicho?”
Me respondeu no mesmo instante:
-É uma “oveia” da Guilhermina
Que se escapou do potreiro!
Ou a “macoa” do Juvêncio
Que se bandeou do chiqueiro!
-Nada disso! Respondi
Num jeitão bem entonado.
-É “libisome”, te garanto,
Pois nisso sou estudado.
Saquei o trinta do coldre
E fiz bem a pontaria...
Três palmos acima da cerca,
Pois matá-lo eu não queria.
O “Schmidtão” berrou grosso
Que deu eco no rincão.
Como um courisco se sumiu
O bichinho na imensidão.
Deixou rastro na lavoura
Mas, casco e pata não era!
Só uns risco meio torto
Quando buscava a tapera.
Desde então eu arreparo
As atitude dos “amigo”!
Só o Juvêncio corta rastro
Quando se topa comigo.
Não chega mais lá em casa,
Nem tampouco cumprimenta,
Anda sempre a passo largo
Quando na vila se apresenta.
Quando me encherga no bolicho
Parece ver assombração.
Mas oigale! To achando que descobri
Quem é o “libisome do Rincão”!
*Baseado em relatos do Sr. Antônio Sebastião, Esmeralda/RS
Cidade: Caxias do Sul
Autor: Cleber Luz
Intérprete: Cleber Luz
Amadrinhadores: Violão – Fabio Soares
Serrote – Luciano Salermo
Simplesmente Amigos
Vou abrir as portas do meu rancho...
Entre!
Mas traga contigo o melhor sorriso.
Que tua voz timbrada ecoe numa linda canção.
Deixe que eu receba teu abraço largo,
que tuas mãos firmes segurem minhas mãos.
De teu olhar sereno carregado de afago,
venha a mensagem de alento
que precisa meu coração.
De onde você vem?
Não importa de onde!
De que limites, ou fronteiras,
se tem passaporte, se tem permissão.
Basta que tragas o consolo na palavra,
a paz que acalma e os eflúvios de mil flores,
como um bálsamo para a alma.
Vou abrir as portas do meu rancho...
Entre!
Mas também me conte de você.
Permita que eu ria neste teu sorriso,
que o sentimento mais nobre
aflore nestas duas almas irmãs.
Que eu te ofereça meu braço
para um abraço comovido,
em cada alvorecer matizado
pela brisa das manhãs.
Se preciso for...
Deixe que eu enxugue as lágrimas
de teu semblante doído.
Entre!
Neste rancho simples encontrarás abrigo.
Você não é um estranho, porque partilha com todos,
o sentimento sublime que também carrego comigo.
Você tem alma pura e aura, como os anjos...
Simplesmente por que és...
Meu Amigo!
Cidade: Passo Fundo
Autor: Paulo Ricardo F. dos Santos
Intérprete: Rodrigo Cavalheiro
Amadrinhador: Natalício Cavalheiro
Entre!
Mas traga contigo o melhor sorriso.
Que tua voz timbrada ecoe numa linda canção.
Deixe que eu receba teu abraço largo,
que tuas mãos firmes segurem minhas mãos.
De teu olhar sereno carregado de afago,
venha a mensagem de alento
que precisa meu coração.
De onde você vem?
Não importa de onde!
De que limites, ou fronteiras,
se tem passaporte, se tem permissão.
Basta que tragas o consolo na palavra,
a paz que acalma e os eflúvios de mil flores,
como um bálsamo para a alma.
Vou abrir as portas do meu rancho...
Entre!
Mas também me conte de você.
Permita que eu ria neste teu sorriso,
que o sentimento mais nobre
aflore nestas duas almas irmãs.
Que eu te ofereça meu braço
para um abraço comovido,
em cada alvorecer matizado
pela brisa das manhãs.
Se preciso for...
Deixe que eu enxugue as lágrimas
de teu semblante doído.
Entre!
Neste rancho simples encontrarás abrigo.
Você não é um estranho, porque partilha com todos,
o sentimento sublime que também carrego comigo.
Você tem alma pura e aura, como os anjos...
Simplesmente por que és...
Meu Amigo!
Cidade: Passo Fundo
Autor: Paulo Ricardo F. dos Santos
Intérprete: Rodrigo Cavalheiro
Amadrinhador: Natalício Cavalheiro
O VELHO
AMARGURANDO AS PARTIDAS...
DESAFIANDO AS ESTRADAS...
SE VAI PELA VIDA ESTRANHA,
SEM LIMITES, NEM LUGAR...
TALVEZ PERDIDO EM SEU TEMPO.
TEMPO DE BARRO NAS BOTAS...
TEMPO DE FILHO NO COLO...
TEMPO DE ESTRELAS NO OLHAR.
JÁ NÃO SE ENCONTRA EM SEU MUNDO.
NENHUM LUGAR É IDEAL!
HOJE NO ENTANTO LHE VEJO,
ALI MENDIGANDO UNS COBRES
NA ESCADA DA CATEDRAL.
FORA ESTANCIEIRO UMA NOITE,
POR OUTRA SE DIZ CANTOR,
CARRETEIRO OU DOMADOR
NOS SEUS DELÍRIOS PAMPEANOS.
PRA CADA UM TEM UM NOME...
PRA CADA UM UMA HISTÓRIA...
E PERCORRENDO A MEMÓRIA
DIZ TER LEMBRANÇAS DE TUDO.
SÓ NOS FALA DE BELEZAS!
FALA DA COR DAS AURORAS...
DOS VAGA LUMES DO CAMPO...
DA DANÇA DAS AROEIRAS
PARCEIRIANDO UM CINAMOMO,
NUM TANGO DESENCONTRADO
POR TARDES DE VENTANIA.
E FALA DAS PINTANGUEIRAS...
DE LARANJEIRAS FLORIDAS...
FALA DE SONHOS... DE VIDA...
DA SUA INFÂNCIA DISTANTE.
DEPOIS ENTÃO ELE CALA,
COM UM SEMBLANTE TÃO TRISTE!
PERCEBO QUE TUDO ISSO
SE SOME PERANTE O HOJE.
MENDIGO... VELHO... SEM COBRES;
SEM AURORAS COLORIDAS...
SEM LARANJEIRAS FLORIDAS...
SEM VAGA LUMES NOS CAMPOS.
SÓ LHE SOBRARAM OS VENTOS,
CANTANDO NAS MADRUGADAS,
CANTIGAS DESESPERADAS;
SEM TANGOS, NEM CINAMOMOS.
SÓ LHE SOBRARAM TRISTEZAS
PAIRANDO NO CORAÇÃO;
E A DANÇA DAS AROEIRAS
ENVERGANDO A ESTRUTURA
DO RANCHO DE PAPELÃO.
NÃO TEM MAIS BARRO NAS BOTAS...
JÁ NEM TEM BOTAS DE FATO!
NÃO TEM SEU FILHO NO COLO...
NEM SABE SE AINDA TEM FILHO!
E AS ESTRELAS DOS OLHOS,
EM CÉUS NUBLADOS NÃO BRILHAM!
NUNCA ENTENDI O SEU JEITO!
PORQUE O VELHO MENTIA?
NÃO TINHA NADA NA VIDA...
NÃO TINHA NADA A PERDER!
PORQUE NÃO DIZIA O NOME?
PORQUE NÃO FALAVA A SÉRIO?
PORQUE FAZIA MISTÉRIO
QUANDO CONTAVA DE SI?
CONFESSO NUNCA ENTENDI!
TALVEZ CARREGUE UM SEGREDO?!
QUE NÃO REVELA POR MEDO,
OU POR SABER NÃO SER BOM.
OU TALVEZ SEQUER SE LEMBRE
QUEM ELE É DE VERDADE!
TALVEZ NÃO SINTA SAUDADE;
ENTÃO INVENTA AS HISTÓRIAS
POR TER VERGONHA DA SUA!
TALVEZ ESCOLHEU A RUA,
SÓ PORQUE GOSTA DO CÉU.
PRA TER TELHADO DE ESTRELAS...
TER SEUS BARCOS DE PAPEL
NAVEGANDO AS CORREDEIRAS.
QUANDO A CHUVA DOS SEUS OLHOS,
VEM SEM PEDIR PERMISSÃO.
OU PRA TER UM CUSCO MANSO
QUE NEM POR FOME SE ATIÇA.
E ACORDAR AS CINCO E MEIA
QUANDO A VÓZ NO CAMPANÁRIO
SE PROJETA NO CENÁRIO.
CHAMANDO O POVO PRA MISSA.
E DE TALVEZ EM TALVEZ
EU DESISTI DE ENTENDER!
NA CATEDRAL FEZ SEU LAR,
E A QUEM QUISER ESCUTAR,
TEM SEMPRE PALAVRA AMIGA...
SUA VERDADE INVENTADA...
OU UMA MENTIRA SOFRIDA.
AMARGURANDO AS PARTIDAS...
DESAFIANDO AS ESTRADAS...
TENTANDO A ENGANAR A VIDA
NESSES DELÍRIOS SÓ SEUS.
SE VAI O VELHO NO MÁS...
CONTANDO ESTÓRIAS DE PAZ
EM FRENTE À CASA DE DEUS!
Cidade: Santa Maria
Autora: Bianca Bergmam
Intérprete: Carlos Omar Vilella Gomes
Amadrinhador: Geraldo Trindade
DESAFIANDO AS ESTRADAS...
SE VAI PELA VIDA ESTRANHA,
SEM LIMITES, NEM LUGAR...
TALVEZ PERDIDO EM SEU TEMPO.
TEMPO DE BARRO NAS BOTAS...
TEMPO DE FILHO NO COLO...
TEMPO DE ESTRELAS NO OLHAR.
JÁ NÃO SE ENCONTRA EM SEU MUNDO.
NENHUM LUGAR É IDEAL!
HOJE NO ENTANTO LHE VEJO,
ALI MENDIGANDO UNS COBRES
NA ESCADA DA CATEDRAL.
FORA ESTANCIEIRO UMA NOITE,
POR OUTRA SE DIZ CANTOR,
CARRETEIRO OU DOMADOR
NOS SEUS DELÍRIOS PAMPEANOS.
PRA CADA UM TEM UM NOME...
PRA CADA UM UMA HISTÓRIA...
E PERCORRENDO A MEMÓRIA
DIZ TER LEMBRANÇAS DE TUDO.
SÓ NOS FALA DE BELEZAS!
FALA DA COR DAS AURORAS...
DOS VAGA LUMES DO CAMPO...
DA DANÇA DAS AROEIRAS
PARCEIRIANDO UM CINAMOMO,
NUM TANGO DESENCONTRADO
POR TARDES DE VENTANIA.
E FALA DAS PINTANGUEIRAS...
DE LARANJEIRAS FLORIDAS...
FALA DE SONHOS... DE VIDA...
DA SUA INFÂNCIA DISTANTE.
DEPOIS ENTÃO ELE CALA,
COM UM SEMBLANTE TÃO TRISTE!
PERCEBO QUE TUDO ISSO
SE SOME PERANTE O HOJE.
MENDIGO... VELHO... SEM COBRES;
SEM AURORAS COLORIDAS...
SEM LARANJEIRAS FLORIDAS...
SEM VAGA LUMES NOS CAMPOS.
SÓ LHE SOBRARAM OS VENTOS,
CANTANDO NAS MADRUGADAS,
CANTIGAS DESESPERADAS;
SEM TANGOS, NEM CINAMOMOS.
SÓ LHE SOBRARAM TRISTEZAS
PAIRANDO NO CORAÇÃO;
E A DANÇA DAS AROEIRAS
ENVERGANDO A ESTRUTURA
DO RANCHO DE PAPELÃO.
NÃO TEM MAIS BARRO NAS BOTAS...
JÁ NEM TEM BOTAS DE FATO!
NÃO TEM SEU FILHO NO COLO...
NEM SABE SE AINDA TEM FILHO!
E AS ESTRELAS DOS OLHOS,
EM CÉUS NUBLADOS NÃO BRILHAM!
NUNCA ENTENDI O SEU JEITO!
PORQUE O VELHO MENTIA?
NÃO TINHA NADA NA VIDA...
NÃO TINHA NADA A PERDER!
PORQUE NÃO DIZIA O NOME?
PORQUE NÃO FALAVA A SÉRIO?
PORQUE FAZIA MISTÉRIO
QUANDO CONTAVA DE SI?
CONFESSO NUNCA ENTENDI!
TALVEZ CARREGUE UM SEGREDO?!
QUE NÃO REVELA POR MEDO,
OU POR SABER NÃO SER BOM.
OU TALVEZ SEQUER SE LEMBRE
QUEM ELE É DE VERDADE!
TALVEZ NÃO SINTA SAUDADE;
ENTÃO INVENTA AS HISTÓRIAS
POR TER VERGONHA DA SUA!
TALVEZ ESCOLHEU A RUA,
SÓ PORQUE GOSTA DO CÉU.
PRA TER TELHADO DE ESTRELAS...
TER SEUS BARCOS DE PAPEL
NAVEGANDO AS CORREDEIRAS.
QUANDO A CHUVA DOS SEUS OLHOS,
VEM SEM PEDIR PERMISSÃO.
OU PRA TER UM CUSCO MANSO
QUE NEM POR FOME SE ATIÇA.
E ACORDAR AS CINCO E MEIA
QUANDO A VÓZ NO CAMPANÁRIO
SE PROJETA NO CENÁRIO.
CHAMANDO O POVO PRA MISSA.
E DE TALVEZ EM TALVEZ
EU DESISTI DE ENTENDER!
NA CATEDRAL FEZ SEU LAR,
E A QUEM QUISER ESCUTAR,
TEM SEMPRE PALAVRA AMIGA...
SUA VERDADE INVENTADA...
OU UMA MENTIRA SOFRIDA.
AMARGURANDO AS PARTIDAS...
DESAFIANDO AS ESTRADAS...
TENTANDO A ENGANAR A VIDA
NESSES DELÍRIOS SÓ SEUS.
SE VAI O VELHO NO MÁS...
CONTANDO ESTÓRIAS DE PAZ
EM FRENTE À CASA DE DEUS!
Cidade: Santa Maria
Autora: Bianca Bergmam
Intérprete: Carlos Omar Vilella Gomes
Amadrinhador: Geraldo Trindade
O OLHAR DA PEDRA
A pedra inerte mirava o tempo inquieto passar
Firmava o olhar de pedra nas horas, sempre corridas;
A pedra não tinha febres na sina de não andar...
Queimava pelas fogueiras do seu desejo de vida!
A pedra sabia coisas que nem o tempo sabia
E ria com toda a força nas horas de solidão;
O tempo, que era ligeiro, muitas verdades não via
E a pedra, por ser inerte, prestava toda atenção.
Estranho o olhar da pedra nessa coxilha vazia,
Quando nem alma penada queria andar por ali...
A pedra tinha belezas que sua memória trazia
E nelas se debruçava nesses momentos sutis.
Há tantos milhões de anos a pedra mira este mundo,
Desde o tempo em que o tempo não passava de um piá;
A pedra sempre abraçada no seu instinto de pedra
Assistia os elementos moldarem o seu lugar .
Um oceano maior que todos os oceanos,
Onde a vida ganhou vida sob os olhares de Deus;
Feras imensas reinando no mar e depois na terra,
Numa saga primitiva que a pedra não esqueceu.
Assim passaram-se eras, espécies, raios, tufões...
A pedra sempre assistindo o tempo inquieto passar;
O início da humanidade ela bombeou de soslaio
Sempre cumprindo sua sina de ser inerte e mirar.
Sentiu batidas de cascos, ouviu relinchos e berros,
Quando cavalos e gado se achegaram de além mar;
Viu a sede de conquista de quem chegou ao seu lado,
O índio ser massacrado e a cruz sangrando no altar.
A pedra viu horizontes maiores e diferentes
Quando assistiu nossa gente se erguer em revolução;
Instintos de liberdade, a morte afiando os dentes
E homens virando feras nas cores de um pavilhão.
A pedra rangia os medos de tantas almas feridas
Que, na sina de ser pedra, não conseguiu socorrer;
Já foi manchada de sangue, já foi riscada de aço,
Mas nada afastou a pedra do seu destino de ver.
Viu tantas moças risonhas passarem rumo aos seus ranchos
Ao lado de moços guapos, querendo semear futuro;
Viu o gado vir tropeado, depois em monstros de aço,
E viu o pago encolhendo nos seus valores mais puros.
Assim a pedra mirou, num resumo de resumo,
E assim a pedra ficou em frente ao tempo inquieto;
A pedra seguiu o tempo, mesmo inerte em seu sumo,
E o tempo levou a pedra nesse seu vôo secreto.
E tudo aquilo que viu, tudo aquilo que colheu,
Cada paisagem e rosto, cada momento de guerra;
Mais que uma grande viagem que o tempo lhe concedeu,
É o olhar firme do tempo plantando alma na pedra!
Cidade: Santa Maria
Autor: Carlos Omar Vilella Gomes
Intérprete: Francisco Scaramussa
Amadrinhador: Geraldo Trindade
Firmava o olhar de pedra nas horas, sempre corridas;
A pedra não tinha febres na sina de não andar...
Queimava pelas fogueiras do seu desejo de vida!
A pedra sabia coisas que nem o tempo sabia
E ria com toda a força nas horas de solidão;
O tempo, que era ligeiro, muitas verdades não via
E a pedra, por ser inerte, prestava toda atenção.
Estranho o olhar da pedra nessa coxilha vazia,
Quando nem alma penada queria andar por ali...
A pedra tinha belezas que sua memória trazia
E nelas se debruçava nesses momentos sutis.
Há tantos milhões de anos a pedra mira este mundo,
Desde o tempo em que o tempo não passava de um piá;
A pedra sempre abraçada no seu instinto de pedra
Assistia os elementos moldarem o seu lugar .
Um oceano maior que todos os oceanos,
Onde a vida ganhou vida sob os olhares de Deus;
Feras imensas reinando no mar e depois na terra,
Numa saga primitiva que a pedra não esqueceu.
Assim passaram-se eras, espécies, raios, tufões...
A pedra sempre assistindo o tempo inquieto passar;
O início da humanidade ela bombeou de soslaio
Sempre cumprindo sua sina de ser inerte e mirar.
Sentiu batidas de cascos, ouviu relinchos e berros,
Quando cavalos e gado se achegaram de além mar;
Viu a sede de conquista de quem chegou ao seu lado,
O índio ser massacrado e a cruz sangrando no altar.
A pedra viu horizontes maiores e diferentes
Quando assistiu nossa gente se erguer em revolução;
Instintos de liberdade, a morte afiando os dentes
E homens virando feras nas cores de um pavilhão.
A pedra rangia os medos de tantas almas feridas
Que, na sina de ser pedra, não conseguiu socorrer;
Já foi manchada de sangue, já foi riscada de aço,
Mas nada afastou a pedra do seu destino de ver.
Viu tantas moças risonhas passarem rumo aos seus ranchos
Ao lado de moços guapos, querendo semear futuro;
Viu o gado vir tropeado, depois em monstros de aço,
E viu o pago encolhendo nos seus valores mais puros.
Assim a pedra mirou, num resumo de resumo,
E assim a pedra ficou em frente ao tempo inquieto;
A pedra seguiu o tempo, mesmo inerte em seu sumo,
E o tempo levou a pedra nesse seu vôo secreto.
E tudo aquilo que viu, tudo aquilo que colheu,
Cada paisagem e rosto, cada momento de guerra;
Mais que uma grande viagem que o tempo lhe concedeu,
É o olhar firme do tempo plantando alma na pedra!
Cidade: Santa Maria
Autor: Carlos Omar Vilella Gomes
Intérprete: Francisco Scaramussa
Amadrinhador: Geraldo Trindade
NOITE DE AUSÊNCIAS
Abrindo o baú do tempo
a saudade mete a cara...
Aquento a cambona, cevo um mate,
enquanto ouço um Urutau,
que de longe faz costado
para um grilo,
que seresteia solito
nalgum canto do galpão.
Enquanto a cambona chia,
vou ao fundo do baú,
busco maviosas lembranças
guardadas com carinho,
que só numa noite de ausências
se pode revive-las, outra vez...
As horas troteiam em direção à aurora,
sem preocupação alguma.
Ouve-se um silêncio profundo, que de quando em vez,
é quebrado pela voz do vento nas quinchas do galpão.
Enquanto isso, remexo o baú grande do tempo
em busca de algum alento.
Entre um mate e uma lembrança,
puxo um “naco” daquele amarelinho,
fio de ouro, vindo de Sobradinho,
que guardo para os meus vícios
nas noites de insônia.
Pico bem a preceito,
sovo bem na palma da mão,
puxando cada fiozinho
como se fosse uma rima rica e perfeita,
para um verso de porfia
no estilo Gildo de Freitas.
A palha de milho catete,
das plagas de Encruzilhada,
caprichosamente sovada
com as costas da minha “Coqueiro”.
Fecho um baio, bato o tição,
ascendo e tiro uma tragada,
daquelas de fazer corações no ar.
No meio da madrugada
numa quietude de tudo,
um pensamento insistente
pede prosa pro campeiro.
Quase ao cantar do galo
quando a lua descamba para a aurora,
repisando o próprio rastro.
Que busco mais um feixe de lembranças
que o tempo não apagou.
É nessas horas, que o potro pensamento
corcoveia e não respeita o alambrado.
Então fico relembrando...
... esta vida é mesmo estranha,
do destino a gente apanha
até um dia entender
que o amor é como o sol...
nem sempre aparece,
mas se sabe que ele existe!
Entre uma pitada e outra
do meu baio bem sovado,
ouço a voz do silêncio,
Remexendo no passado.
Ah! que saudades...
Saudade é tropilha maula
que se chega ao despacito,
é pior que matear solito
quando a velhice nos bate.
Pois chega lenta e matreira,
como quem não quer nada,
se amoita no pensamento
do vivente acabrunhado,
que vai buscar no passado
as razões para os seus lamentos.
Cevo mais um mate,
tiro mais uma tragada, e...
enquanto uma tropilha de lembranças
troteiam a esmo,
construo um universo de sonhos
que a realidade desfaz.
Mas nessas horas calmas,
quando a boieira desperta,
o pensamento me leva
onde jamais chegarei.
Então, fecho o baú do tempo,
Cevo mais um mate e tomo de novo,
sem ter com quem, partilhar!
Cidade: Caxias do Sul
Autor: Osvaldo Machado
Declamador: Fabiano Rodrigues da Silva
Amadrinhador: Rafael Diniz da Silva
NA VIGÍLIA
-Olha, patrício...
vê aquela figura,
talhada em bronze puro,
exposta sobre um mangrulho
bem no centro dessa praça?
-Presta atenção nos seus traços,
o modo como se veste,
o porte altivo e marcante...
Não notaste a diferença?
-É um soldado da Brigada
que ostenta fibra e bravura,
e hoje, lembra a figura
de um nobre homem da lei.
Da lei, da paz e da ordem
que depende o nosso povo,
brotam co’a fé nesses homens
que juram pra sociedade
Liberdade, Igualdade e Humanidade pra todos
perante a nossa bandeira.
Homens que vieram do ontem,
surgindo em meio à revolta
da guerra que se firmava
manchando de sangue o pampa,
tombando nobres gaúchos
que peleavam simplesmente
por um Rio Grande melhor!
Talvez, por isso, a certeza
de que não são simples soldados,
pois carregam fardos pesados
e lutam com a mesma força
e pelos mesmos ideais
que lutavam os primórdios
dos avós de nossos pais.
São esses homens que velam
pelo silêncio das noites.
São esses homens de farda,
que passam horas amargas,
no rigor da invernias
ou no calor dos verões,
varando léguas de estradas
em largas rondas noturnas.
Homens que passam os dias
cumprindo com seu dever,
na missão de proteger
e defender Pátria e Gente,
zelar pelo bem dos outros,
cuidar da vida de muitos
nesse ofício de tão poucos.
Homens que trazem nas veias
o sentimento mais puro
pela missão que carregam.
Que às vezes, são obrigados,
a esconder a própria cara
dentro de suas moradas.
Não podem mostrar a farda
nem mesmo a função que exercem,
pois o salário que é pouco,
se lhes sobra pras despesas,
mal coloca o “pão” na mesa,
e a casa em cima dos “morros”.
Homens na eterna vigília,
Armados de patriotismo,
Campeadores do civismo
neste quadro de injustiças.
Quem tem alma de polícia
E a paz por ideal
Faz da lei o manancial
Prá garantir a justiça!
São esses homens, patrício,
que merecem ter confiança
de toda esta sociedade
da qual também fazem parte.
Não querem só uma estatueta
moldando um marco na história
talhada em bronze na praça,
Querem o reconhecimento
que faça jus e sustente
a condição permanente
de serem eles os “praças”.
É por isso, meus senhores,
que hoje deixo este recado:
Respeitem esses soldados
rondando pelas calçadas,
são soldados da Brigada,
são os caudilhos do Rio Grande,
que trocam a bota e a bombacha
pra recomporem nas fardas
e na memória de sua gente,
a vigília permanente
da sua terra e do seu povo!
Cidade: Caxias do Sul
Autor: Érico Padilha
Intérprete: Érico Padilha
Amadrinhador: Violão – Alcione Padilha
Assinar:
Postagens (Atom)